WoW! REVIEW – PARTE 1: Lovelyz tentou de tudo um pouco nesse comeback e…

WARNING: Senta que lá vem textão. Se você só quer saber minha opinião sobre a porra do comeback, vai lá pro final do post, depois do vídeo de WoW!

Talvez eu devesse fazer uma review contida e imparcial sobre o comeback do Lovelyz… mas FODA-SE, eu não criei um blog pessoal só para ser impessoal nos meus posts. Quando se trata de algo subjetivo como música, compartilhar sua relação pessoal com o assunto pode ajudar o leitor a perceber que o que ele está vendo não é a opinião de um crítico renomado, mas a de um fã igual a ele.

Quando se acompanha K-Pop há quase 10 anos como eu, é engraçado ver o que cada grupo que você gosta representa para você. Teve aquele que te fez conhecer, o que te fez amar, o que te decepcionou, o que te fez ficar, etc. São eles quem “fazem” o capope pra você e o ano passado foi difícil porque meus favoritos estavam dando disband, em hiato, ou  lançando merda. Não foi fácil manter meu interesse.

Em 2014 os dois grupos mais promissores eram Red Velvet e MAMAMOO, mas eles levaram um tombo em qualidade em 2016. A renovação do gênero não estava saindo como eu gostaria e eu me perguntava se a minha fase de capopeiro já iria acabar e eu me tornaria um ouvinte casual. Porque eu sabia que ainda curtiria as músicas, mas os meus favoritos entrariam em hiatos cada vez mais longos a partir de agora e eu não me imaginava stanneando mais nenhum grupo.

Quando eu vi Lovelyz pela primeira vez eu logo o rotulei como um APink 2.0. Isso provavelmente afetou minha primeira impressão de Candy Jelly Love, porque só isso explica como demorei pra gostar dessa música. Capopeiros tendem a dar importância primeiro à imagem e depois à música, e eu não sou imune a isso.

Os debuts de GFriend e Oh My Girl já chegam grudando na sua cabeça, então é fácil gostar deles mesmo se você estiver preparado para demonizá-las por serem aegyo. Candy Jelly Love demanda a sua atenção. Atenção essa que eu não estava disposto a dar. Foi só depois de Ah-Choo e Destiny, que eu dei uma oportunidade de verdade a Lovelyz e vi o que sua discografia queria fazer. Eu amei! E o maior responsável por isso é OnePiece.

Não esse One Piece. Só queria deixar claro.

Uma coisa que poucos percebem ou comentam é que a “nova geração” significa não apenas que os grupos antigos estão sendo substituídos, mas os produtores também: o último hit do Brave Brothers foi “Heart Attack” do AOA em 2015; Shinsadong Tiger agora só consegue ser relevante com EXID ou Apink; E-Tribe sumiu há 4 anos; e eu não preciso nem falar do pessoal do Sweetune, né? Eles estão dando música para qualquer boyband nugu que lhes pague uma coxinha. Só quem tá se mantendo bem são Dublé Sidekick (err… relativamente) e os in-house como o Teddy Park.

Apesar dos produtores NÃO terem liberdade total sobre o tipo de música que irão produzir para um ato, a nova leva de produtores definitivamente é mais relevante para o debate sobre a qualidade musical do k-pop atual do que os novos grupos em si, porque eles sim têm responsabilidade sobre as músicas lançadas.

A tracklist só tá aqui pra quebrar o texto. Eu não irei falar do álbum.

Algo muito comum no capope é fazer o grupo trabalhar exclusivamente com um produtor para ter uma sonoridade coesa. Isso está menos frequente, mas continua acontecendo: Twice tem Black Eyed Pilseung, Blackpink tem Teddy Park, GFriend tem Iggy Youngbae… Isso ajuda muito a dar um direcionamento ao grupo, mas não é necessariamente A solução absoluta.

O estilo que Iggy Youngbae deu ao GFriend, por exemplo, ficou repetitivo demais e a discografia do grupo acaba sendo entediante pra caralho redundante ao invés de consistente. Sem contar que ele doou esse mesmo estilo a outros grupos também, contribuindo para a impressão de homogeneidade que se tem hoje no K-Pop.

É aí que entra Lovelyz com OnePiece. Todas as title tracks delas foram feitas por esse time (menos “For You”), que deu ao grupo um synthpop oitentista melancólico como marca, mas sem ficar estagnado, preso a uma fórmula. E hoje em dia várias canções de um grupo poderiam ser dadas a outro e não causariam QUALQUER estranheza, então o fato de OnePiece trabalhar exclusivamente para Lovelyz ajuda muito a lhes dar um diferencial. Claro que isso não significaria nada se as faixas não fossem boas. E elas são.

O ingrediente extra na mistura é Digipedi, que dirigiu os MVs de todas as title tracks (menos “For You” também… sério, por que essa música existe!?), dando a elas vídeos que casam perfeitamente com o conceito das músicas.

Então que eu me dei conta que Woollim conseguiu dar para Lovelyz músicas muito boas somadas a uma identidade sonora e visual coesa E ISSO É O QUE EU ESPERO DE VOCÊ, K-POP!!! ERA ISSO O QUE EU QUERIA QUANDO ASSINEI MEU CONTRATO VITALÍCIO DE CAPOPEIRO! EU NÃO ACEITEI FAZER PARTE DA CASTA MAIS OSTRACIZADA DA SOCIEDADE (depois dos otakus, é claro) SÓ PRA FICAR RECEBENDO ESSAS COISAS AQUI DE RECOMPENSA!

WoW!

Depois de ler tudo isso, você já pôde concluir que “WoW!” NÃO é o que eu queria do Lovelyz. Obviamente a Woollim percebeu que Red Velvet usou o mesmo conceito de Lovelyz para “Russian Roulette”, apenas com um MV coloridinho e sem o filtro pastel, e conseguiu um hit. Então eles viram que a solução seria aproximar Lovelyz do som e da imagem que Twice, Red Velvet e derivados estão usando.

Tem partes da música que eu adoro e eles ainda colocaram a identidade do grupo ali no refrão (que é basicamente o mesmo de Destiny), mas ela é o sinal da Woollim ficando perdida. Tá na cara que OnePiece tinha uma boa faixa aqui, mas Woollim veio e disse “enfia aí umas merdas como ‘heart pipipipi’ ou ‘shashasha’ pra ver se ganha o público” e a gente ficou com esse “Kampa Kampa Kampa Woooow” irritante e “Jey Pap Jey Pap”. Elas mereciam mais.

E  o que é essa coreografia?

“WoW!” é uma música que tenta fazer duas coisas ao mesmo tempo, uma hora ela é funk e outra hora é o tradicional synthpop delas. Ela é Lovelyz querendo ser igual às outras e manter seu diferencial ao mesmo tempo! Mas também não entendi a estranheza dos capopeiros com a música, ela não é uma bagunça desconjuntada como Cheer Up, Rookie e outras que eles aceitaram muito mais. Elas só se renderam ao paradigma do Capope atual, e honestamente até que demorou pra isso acontecer.

Já o MV é outra história. E é por isso que esse post tem uma parte 2

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11 comentários sobre “WoW! REVIEW – PARTE 1: Lovelyz tentou de tudo um pouco nesse comeback e…

  1. “Quando se acompanha K-Pop há quase 10 anos como eu, é engraçado ver o que cada grupo que você gosta representa para você. Teve aquele que te fez conhecer, o que te fez amar, o que te decepcionou, o que te fez ficar, etc. São eles quem “fazem” o capope pra você e o ano passado foi difícil porque meus favoritos estavam dando disband, em hiato, ou só lançando merda, então foi difícil manter meu interesse.”

    No aguardo das histórias que preenchem as cotas do conhecer/amar/ficar……..

    Gostei muito da sua análise, pena que essa deve ser a primeira música delas que eu ouço, então não entendi as referências aos outros trabalhos…@_@

    • “o ano passado foi difícil porque meus favoritos estavam dando disband, em hiato, ou só lançando merda, então foi difícil manter meu interesse.”
      Meu Deus, eu preciso editar essa redundância. @_@

      Eu acho tão difícil recomendar Lovelyz porque no K-Pop o pessoal quer sempre uma coisa mais empolgante e grudenta, a discografia delas é muito sutil. Por isso a favorita dos não-fãs é Destiny. Mas a performance acapella delas é impossível de não amar:

  2. Eu tbm demorei um pouco pra gostar de Lovely, talvez seja pq na época do debut tava todo mundo amando elas e meio q ignorando Red Velvet, eu sou bolofã desde sempre aí peguei raiva delas(como eu era idiota, ainda bem q essa faze n durou mt). Quando elas lançaram Hi eu comecei a gostar bastante delas, aí fui ouvir “uma colher de suas promessas brancas” e me arrependi de n ter ouvido esse hino antes. Daí meu amor só cresceu por Lovelyz.

    Apesar de eu querer q Lovelyz lançasse outra musica dramática como Destiny, n posso negar q essa musica é boa e o instrumental é ótimo. O mv tbm é bem legal e criativo e faz ótimas referencias aos antigos mvs, gostei bastante, mas eu ia gostar de qualquer jeito, só de Kei aparecer nele já vale a pena pra mim.

  3. Gostei da review. Muito bom!
    Sobre a música… eu achei bem estranha na primeira ouvida pq a música não tem pré refrão, elas cantam simplesmente 1 estrofe e jogam o refrão de cara assim do nada. E isso é mto estranho e confuso. Mas ai vem o Jey Pap Jey Pap na segunda parte e conserta tudo deixando tudo mais redondinho e bonito.
    E confesso que quando acabou a unica coisa que eu lembrava era o Jey Pap Jey Pap WoW!! haha.

    Mas agora eu queria saber pq caralhas vc não gosta dessas frases icônicas de repetição que o kpop aegyo proporciona como essa Jey Pap Jey Pap, heart pipipi. Namu Namu Namu, etc…
    Eu adoro isso, e acho muito fofo!! Sério haha… E olha que sou um cara velho e chato pra música, e até 1 ano atrás odiava qualquer música pop.
    Mas eu acho que essas frases algo muito particular e especial que só é legal pq vem do pop asiático… Imagina um ocidental cantando isso, que merda seria Hahahaha.
    Mas o me incomoda é que se vc gosta de um grupo aegyo, de músicas aegyo asiatica, então como pode achar isso irritante? É quase contraditório… sei lá, não entendo.

    E qual é seu problema com For You? A melodia dela é linda, e o instrumental é ótimo. Não é nada inovador, ou algo pra se ouvir no repeat toda hora, mas ela é no minimo Ok! E eu fico feliz pra caramba por isso existir, principalmente por aquele MV, q apesar de super simples, ele é feito sob a luz do dia, e eu amo isso sei lá porque rsrs. Gosto meu claro, mas blz.

    • Eu não gosto do Lovelyz por ser aegyo, mas apesar de ser aegyo. Eu não tenho nada contra as repetições, eu gosto de Very 3x por exemplo, mas é que desde shashasha o K-Pop tem enfiado isso em tudo quanto é música sem muito critério. Essa por exemplo ficaria muito melhor sem os Kampa Kampa Kampa, mas eu gostei do Jey Pap Jey Pap.

      Sobre For You… ela destoa demais do resto da discografia do Lovelyz, e o MV também.

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